PROFº ADEMIR DA COSTA

quarta-feira, 1 de julho de 2009

Comentário do Jornalista Luiz Eduardo Costa no Jornal do Dia em 24/11/2008 às 08:07:29

O professor Ademir da Costa deu valiosa contribuição à nossa historia política publicando dois artigos no Jornal da Cidade sobre a Ação Integralista Brasileira em Sergipe. Houve entre nós um ativo núcleo de seguidores de Plínio Salgado que cultuavam uma espécie de totalitarismo com feições nativistas, e exaltando os sentimentos pátrios. Mostrava-se como uma alternativa ao comunismo que definia como ateu e apátrida, e seguia os modelos nazi-fascistas europeus, dos regimes implantados por Hitler , Mussolini, Franco e Salazar. Não foram poucos os intelectuais atraídos pelo fascismo caboclo, ostensivamente estimulado pela Igreja Católica e infiltrado fortemente nas Forças Armadas, com maior incidência na Marinha. A divisa Deus Pátria e Família, era um apelo atrativo para amplos setores da classe média apavorados com o avanço das esquerdas. Mas houve também operário que vestiu orgulhoso a camisa verde com o sigma impresso ao peito.
Outros estudiosos da nossa História, como Ibarê Costa Dantas, Thetis Nunes, já fizeram incursões sobre o tema, mas o sucinto trabalho do professor Ademir da Costa destaca-se pela identificação daqueles mais importantes adeptos do Integralismo em Sergipe, analisando a ação especifica de cada um no movimento. E faz isso com a fria imparcialidade de um historiador que não assume posição ideologica diante do que narra. O Integralismo, que paradoxalmente num país de mulatos, afinava-se com as idéias racistas oriundas da Alemanha, com a presunçosa suposição da superioridade ariana, aqui, chegou a atrair muitos negros, mestiços, sobre os quais, Hitler, que eles chegaram a idolatrar, lhes cuspiria na cara com nojo da inferioridade manifesta na pele escura. O Integralismo foi um enorme equivoco que atraiu, sem duvidas, pessoas bem intencionadas, preocupadas com o Brasil, assustadas com o comunismo, e que enxergavam no seu movimento um antídoto poderoso contra a esquerda materialista. Quase todos eram carolas assumidos e nacionalistas, que imaginavam também poder por um freio na desmedida ambição de plutocratas identificados como exploradores do povo. Acreditavam num Estado todo poderoso, capaz de estabelecer de cima para baixo uma férrea regulamentação social que extinguiria a luta de classes preconizada pelos marxistas. Veio a Guerra, despedaçaram-se os totalitarismos de direita, e os que andavam pelas ruas a levantar o braço no gesto caricato da saudação que incluia o Anauê, já estavam em Fernando de Noronha, logo depois do putsh de 37, fazendo companhia aos comunistas da Intentona de 35. O ego de Getulio, que era maior do que qualquer ideologia, para se manter no poder não hesitava em em combater ao mesmo tempo a esquerda e a direita, isso, depois de tê-las intensamente usado em seu próprio beneficio.

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